sábado, 14 de julho de 2012

Comentando: Preta Gil e Glória Kalil

Olá pessoal! Não é segredo pra ninguém que este mês Preta Gil está lançando uma linha de roupas em parceria com a C&A. Se vocês procurarem vão encontrar muitos blogs analisando a coleção. Não vou entrar nesse mérito, porque não é esse o propósito do post, acho louvável que a C&A tenha tido essa iniciativa e voltado atrás depois de ter tirado a seção plus size de suas lojas, porque pra mim isso tinha sido um movimento muito retrógrado. Glória Kalil, consultora de moda e responsável pelas matérias de moda do Chic resolveu então fazer uma matéria comentando alguns modelos e bem, ai é que mora o meu problema. 
Nunca nesses anos todos em que tive blog e que lia constantemente sobre universo plus size e moda senti um tom cortês e gentil para com os gordos vindo de madame Kalil. Sempre que lia suas postagens eu ficava com a impressão de que esta senhora deve achar que ser gordo é deselegante, logo ela, uma senhora tão distinta não deve gostar muito de nós, os gordos. Lendo os comentários do site de Glória essa impressão se reafirmou, porque eu senti toda uma agressividade contida nos comentários, sem contar o preconceito ali, sendo sutilmente colocado linha após linha. Tá gente, eu tô dramatizando? Talvez, acompanhem comigo alguns dos comentários feitos por Glória Kalil (mas pelo amor de Deus esqueçam a minha marcação feita no Paint porque eu acho que tenho 1 aninho apenas, sem coordenação NENHUMA rs): 

CLICA PRA AUMENTAR

CLICA PRA AUMENTAR

CLICA PRA AUMENTAR

CLICA PRA AUMENTAR
O comentário sobre a legging de onça me pareceu um pouco agressivo e um tanto quanto desnecessário, mas nem é isso que me incomoda. É a noção de que roupa de gordo é aquela que EMAGRECE. Por isso é que fazem uma verdadeira lavagem cerebral com você, te dizendo desde nova que você NÃO PODE usar outra coisa que não seja preto porque preto emagrece. Já passou pela cabeça de alguém que assim só de vez em quando eu quero mandar meu peso e o formato do meu corpo pro escambau e usar uma coisa chamativa, "periguete", na moda, mais ~ousada~? Acho que a coleção de Preta Gil é uma tentativa de acabar com a coisa do 'gordinha de roupa escura', de "calça reta e camisa com gola em V". Porque sabe? CANSA. De vez em quando eu quero não me preocupar sobre como as pessoas vão ver o meu corpo, eu quero aquele vestido confortável que ressalta meus quadris, eu quero a roupa da moda que evidencia meu bundão, eu quero a calça justa que na minha cabeça - e na de quem mais quiser - me deixa gostosa pra cacete. Sem regra, sem 'ilusão de ótica', eu quero liberdade pra usar as estampas que quiser e como bem entender. Mas na cabeça das pessoas, se uma roupa não esconde e não disfarça ela não é o boa o suficiente pra mim. Porque as pessoas ainda estão pensando que eu preciso NEGAR a minha gordura. Glória Kalil quando comenta que 'a roupa não emagrece' reafirma a ideia de que SE É GORDO, PRECISA EMAGRECER. É preconceito ou não é? 


 O que vocês não sabem é que é muito bom quando a gente para de ouvir essas besteiras e cria um estilo próprio, sabe? A saia de renda branca é uma escolha ~perigosa~? Eu não sei, é? Você vai ficar incomodado de ver uma gorda com calça estampada justinha? Ou uma gorda na balada com blusa de paetê vai te deixar constrangido? Isso é com você, amigo. No momento em que EU colocar tais peças eu nem quero saber como você vai se sentir, eu quero saber o que eu vou sentir e se eu me sentir bem, não tem Glória Kalil que me dê jeito! O incômodo está no olhar de que ainda não aceitou o outro como ele é e para mim se isso não é preconceito eu não sei o que mais seria. Pensem nisso.


Mas nem tudo está perdido, olha só o comentário super legal que tinha no site de Glória: 



                              Rodrigo Terra sou sua fã! Aliás, foi a partir do comentário dele que nasceu essa postagem! <3<3<3

Bom minha gente, é isso, quem quiser opinar, comente ai. Beijos. 

sábado, 23 de junho de 2012

Você ama seu corpo?

Houve uma época em minha vida em que eu responderia não à pergunta do título deste post. Durante muitos anos eu culpei o meu corpo pelo seu formato, tamanho e peso. Mas que atire a primeira pedra quem nunca foi uma adolescente em crise diante das amigas magras e bonitas. Eu era exatamente assim, cercada de amigas lindas, a única gordinha da turma. Tive muitas dificuldades em me aceitar tão igual quanto qualquer uma delas. Durante muito tempo eu me senti inferior a todas elas. Mas esse não é o foco do post. Num determinado momento de minha vida, passei a perceber o meu corpo, como fruto das minhas escolhas e passei a entender que gordo ou magro ERA O MEU CORPO. Eu entendo o corpo humano como templo sagrado, como ápice de nossas vidas - são minhas crenças, não tem que ser de vocês, não vim aqui pregar nada, só  contar o que deu certo pra mim - e enquanto MEU templo sagrado o que eu estava fazendo com ele? Eu estava descuidando do meu bem. Estava negligenciando este corpo que me foi dado. Não sei quando nem porquê eu comecei a pensar assim, mas depois disso eu passei a me tratar melhor em todos os sentidos. Gordo sim, maltratado, nunca. Alguém pode argumentar que só sendo gorda e me entupindo de comida ruim eu já estou descuidando dele. E eu terei de dar razão, porque quando você não cuida da sua alimentação você está sim, negligenciando o corpo que te foi dado. Eu me preocupo com o que como, mas ainda peco um pouco por preguiça, mas prometo a vocês que essa é uma das mudanças que estou em andamento, em processo de mudança. E é claro, quero sempre o que é mais saudável pra mim, estou sempre me preocupando com o que como, com a quantidade de tudo que entra pela minha boca. Recentemente fiz exames de sangue e realmente, está tudo dentro do normal: colesterol, trigliceres, glicemia, com exceção do ferro, estou anêmica. Então a minha preocupação esse ano é reverter esse quadro de anemia, porque olha gente, quero muito um corpo mais saudável, com qualidade de vida, porque pretendo viver muito ainda! Mas tive que descobrir mesmo, como amar meu corpo com cada gordura, celulite e estria que ele possui. Tudo faz parte de mim e não dá pra viver me odiando porque eu não pareço uma capa de Playboy. Mas o desafio é individual, eu não consigo ensinar ninguém a viver melhor consigo. Mas eu posso garantir que a vida fica muito mais fácil quando a gente vira a nossa melhor amiga.

Beijos, Ana Paula. 

domingo, 17 de junho de 2012

Autoestima: ou você tem ou será pra sempre dependente...

Há muitos anos atrás, havia uma outra Ana morando em mim. Uma Ana que tinha crescido sem muita orientação sobre que pessoa ela deveria ser - e quem tem essa orientação né - e que ouvia o tempo todo que a pessoa que ela era não era suficiente. Eu era suficientemente gorda no entanto, para que as pessoas notassem e para que sempre deixassem gravados de alguma forma, que aquilo não era aceitável. Bem, isso foi há muito tempo atrás e de maneira alguma eu quero usar isso pra me sentir vítima. Eu ME RECUSO a ser vítima de qualquer um. Mas, naquela época, eu era apenas uma menina. E como menina, eu achava importante o que os OUTROS pensavam de mim. Eu me via através dos outros, logo o que eles pensavam me importava porque o que eles viam era o que eu acabava vendo. Vocês podem então concluir que pelos olhos dos outros e pelo meu eu era apenas a "pobre menina gorda que nunca vai ser nada na vida porque ela é gorda". E eu preciso dizer: enquanto eu fui dependente dessa visão externa eu fui infeliz. Não que as pessoas estejam erradas - ou pelo menos esse não é o foco do que eu digo - ou que sejam as vilãs. Mas elas nunca vão me olhar com os meus próprios olhos e elas nem tem essa obrigação. Outras pessoas vão levar mais tempo pra entender que eu sou mais do que um corpo, um peso, um tamanho. Outras podem nem querer me conhecer ou saber quem eu sou.  Então a gente passa muito tempo exigindo do outro um amor que não tem por a gente mesmo. E nessas a gente se escraviza, vive infeliz, insatisfeita, procurando alguma coisa que a gente não sabe bem onde está, dai sai procurando em qualquer lugar ou em qualquer pessoa uma validação, uma justificativa pro tanto que a gente acha que o outro deve amar a gente. Isso pode ser bem perigoso, uma vez  que o outro pode ou não validar, justificar ou amar você do tanto que você acha que merece. Por isso eu digo que esse amor incondicional tem que nascer dentro de nós mesmos. A primeira pessoa a te amar deve ser você mesmo. Os outros, eles vão te amar sim, aqueles que tiverem paciência de te conhecer vão ver a pessoa linda que você é. Mas, se você não souber disso por você mesmo, nenhum amor externo vai te salvar. 

Não quero dizer aqui que o amor e a admiração externa não são importantes na vida de uma pessoa. Claro que são. Nem vou me dizer que não me chateio com isso às vezes porque seria mentira. Mas o que eu quero dizer é que se você busca algo unicamente no outro suas chances de frustração aumentam consideravelmente. Ninguém tem obrigação de te achar a mais linda, inteligente ou gostosa do mundo. Você tem. Tem que se amar antes de amar o outro, antes de depender dele pra te dizer o quanto você é demais. E se fica dependente da aprovação alheia pode se magoar ou pode se cercar de pessoas que não gostem tanto assim de você. 

Bem, vou parar antes que eu fique repetitiva demais - too late? - acho que fui bem clara acima. E só pra terminar, a Ana que vive em mim hoje é exatamente - ou quase - a Ana que eu sempre esperei ser. Encontrei essa Ana perdida por ai uma noite e nunca mais me larguei. Nunca mais quero pensar que alguém terá que me amar mais do que mesmo pra eu ser feliz. Nunca mais. 

sábado, 26 de maio de 2012

E o 44 o que é?

A situação

Dia desses, Renata Vaz do blog Mulherão postou em seu blog um chamado para meninas que queriam ser modelos da Carlota Rio. Os pré-requisitos: morar no Rio e usar tamanho 44. Foi o que precisou. Choveram comentários sobre como 44 não é um tamanho plus size em forma de queixas, reclamações e protestos. 

44 é ou não é plus size?


Depois da postagem eu me vi pensando seriamente nesse assunto. Então perai, deixa eu entender, 44 não é plus size? Porque 44 também não é padrão pra uma modelo magra. Querem ver o padrão de uma modelo magra?

Adriana Lima, tamanho 36.
Adriana Lima veste 36 e eu vou 'chutar' aqui que ela veste o padrão 90-60-90 (busto-cintura-quadril) procurado pelas agências. Mas hey, nada contra Adriana, que é linda. O meu ponto aqui é, se modelos de passarela vestem 36, 44 é o que? Ainda outro dia, estávamos todos discutindo no twitter a cagada estratégia de marketing da Alice Ferraz, que em seu site de compras de artigos de luxo limitava o credenciamento de clientes baseados no tamanho, onde pessoas do manequim 46 não podiam nem se cadastrar na loja para tentar a sorte de ser uma de suas clientes. Pouco depois a tag #46nãoentra ficou no twitter por horas e gerou uma discussão tão grande que Alice mudou o pré-requisito. Alguém pode argumentar ai que se 44 entrava no site de Alice Ferraz então não é plus size, certo? Certo, se a teoria de Alice estivesse certa, mas me desculpem os fãs do blog e da loja da moça, ela não está, tanto não está certa como voltou atrás e tirou o tamanho como um dos pré-requisitos pro cadastro em sua loja (não que eu acredite que ela agora esteja dando uma chance aos plus size ou mesmo que entenda a demanda desse público, mas ela tentou desfazer o erro) Olha, sinceramente, quem está querendo ser rígido assim com essa questão de tamanho pra mim não faz diferente de um site onde você não pode comprar se estiver acima de um determinado tamanho. Então agora a gente vai excluir? Vamos mesmo chamar de FALSA MAGRA as pessoas que vestem 44 e assim, taxá-las de MAGRAS OU GORDAS? Ou nem isso, porque né, o que é uma falsa magra afinal de contas? Ela é magra? É gorda? É mais uma que vai se sentir inadequada? Sinceramente, eu sou uma pessoa que sempre defendi causas plus size, afinal sou gorda desde que o mundo é mundo, mas me dá uma tristeza sem fim ficar lendo as críticas das pessoas com o TAMANHO DAS OUTRAS. Vou dizer pra vocês o que eu disse pra Renata a respeito disso: Há alguns anos, eu teria batido o pé da mesma forma, teria protestado que 44 não é plus size, mas no último dia de modelo aqui em BH a Renata estava explicando sobre a função das modelos de prova. As modelos de prova são responsáveis por provar a peça piloto e adivinhem a partir de qual tamanho as grifes plus size geralmente produzem suas peças? UM DOCE PRA QUEM DISSE 44. Então pra mim, faz sentido que eles busquem uma modelo desse tamanho pra fazer a peça piloto no primeiro tamanho da grife e a partir daí criar a mesma peça nos outros tamanhos. Faz sentido PRA MIM, Ana Paula. Não sei se faz pra vocês, mas depois dessa explicação eu fiquei satisfeita e não questionei mais. Mas tem mais uma coisa que eu penso: É CLARO QUE EU QUERO ME VER REPRESENTADA NUMA MODELO MAIOR, MAIS PERTO DO MEU TAMANHO, LÁ NOS 52, 54 DA VIDA. Mas gente, o 'movimento plus size' está ai pra agregar ou pra excluir? A gente luta tanto contra o preconceito e acima de tudo a favor da nossa inclusão em tudo e vamos mesmo excluir alguém pelo tamanho? Não parece contraditório pra vocês não? Porque ser 'plus size' gente é mais do que lutar contra tamanho de roupa e tamanho de modelo. É uma questão de aceitação. De vocês e do outro também. Pensem nisso.

Beijos, Ana Paula. 


Preta Gil e sua linha de roupas

Já não é novidade que Preta Gil vai lançar uma linha de roupas em parceria com a C&A. A linha, que vai se chamar Special for You - Preta Gil tem data de lançamento para julho deste ano e vai atender as numerações de 46 a 54. 


Adoro Preta Gil e acho que já estava passando da hora da C&A fazer alguma coisa na linha plus. Há algum tempo a loja dispunha de uma - bem ralinha - arara de roupas plus, mas já tem um ano - acredito eu - que a loja decidiu por eliminar essa seção de suas lojas com a justificativa que aumentaria a numeração de suas modelagens. Honestamente, eu parei de entrar na C&A já faz tempo demais pra saber se é essa a história mesmo, mas acho bom a marca reconsiderar que o público plus size está ai e está carente de boas roupas e o principal - COM DINHEIRO NO BOLSO PRA GASTAR. Acho que a linha deveria pensar em estender a numeração até o 56 até pra concorrer com a Leader que tem a sua numeração até 56 e peças acessíveis e de qualidade. Vamos esperar pra comentar melhor! Beijos, Ana Paula. 

sábado, 12 de maio de 2012

Começo com 'C' maiúsculo!

Oi, meu nome é Ana e eu tenho um vício. Sou viciada em fazer blogs. Tenho uns 3 ou 4, sobre assuntos diversos, mas acho que não consigo deixar de escrever pra um público que precisa sempre de mais informação: o público 'Plus Size', o público gordo, o público, que como boa parte deste país, está acima do peso dito 'normal'. Bem vindos todos, os com nenhuma obesidade ou uma super obesidade, como a minha. Este é um blog de uma gorda para gordos ou de uma gorda pra ela mesmo, porque todos os blogueiros no fundo no fundo falam consigo enquanto escrevem. 

Não vou ficar famosa e nem ganhar um Nobel, mas se eu puder conhecer pessoas e levar algo de positivo pra elas, já é meio caminho andado. No meio tempo, este espaço é também pessoal, pra que eu fale de tudo que me agrada, de tudo que eu amo e descobrir o que amam vocês, seres que me visitam e que me leem. Se é que alguém aqui vai ler este blog em algum momento. Expectativas à parte, deixe-me explicar o nome FAT FOWARD, que vem de FAST FOWARD, que é quando a gente adianta a imagem no DVD - e eu sei que deve ter mais uso que isso, mas é o que significa pra mim - porque eu sou uma pessoa fincada no presente, mas com um pezinho no passado e um olho enorme no futuro. Quero pular logo pra parte em que gordo não vai precisar se justificar, em que teremos o nosso espaço respeitado e que não seremos rotulados de preguiçosos, desleixados ou invejosos apenas pelo nosso tamanho. Aliás, a proposta não vale pros gordos. Ela vale para todo mundo que se viu algum dia restrito a uma etiqueta, a um rótulo por causa de algum aspecto em particular. É pra você também que sofre qualquer tipo de preconceito que eu desejo pular logo para a parte em que seremos mais essência e menos aparência. 


Qualquer dúvida me grita! E vamo que vamo!
Beijos, Ana Paula.