sábado, 23 de junho de 2012

Você ama seu corpo?

Houve uma época em minha vida em que eu responderia não à pergunta do título deste post. Durante muitos anos eu culpei o meu corpo pelo seu formato, tamanho e peso. Mas que atire a primeira pedra quem nunca foi uma adolescente em crise diante das amigas magras e bonitas. Eu era exatamente assim, cercada de amigas lindas, a única gordinha da turma. Tive muitas dificuldades em me aceitar tão igual quanto qualquer uma delas. Durante muito tempo eu me senti inferior a todas elas. Mas esse não é o foco do post. Num determinado momento de minha vida, passei a perceber o meu corpo, como fruto das minhas escolhas e passei a entender que gordo ou magro ERA O MEU CORPO. Eu entendo o corpo humano como templo sagrado, como ápice de nossas vidas - são minhas crenças, não tem que ser de vocês, não vim aqui pregar nada, só  contar o que deu certo pra mim - e enquanto MEU templo sagrado o que eu estava fazendo com ele? Eu estava descuidando do meu bem. Estava negligenciando este corpo que me foi dado. Não sei quando nem porquê eu comecei a pensar assim, mas depois disso eu passei a me tratar melhor em todos os sentidos. Gordo sim, maltratado, nunca. Alguém pode argumentar que só sendo gorda e me entupindo de comida ruim eu já estou descuidando dele. E eu terei de dar razão, porque quando você não cuida da sua alimentação você está sim, negligenciando o corpo que te foi dado. Eu me preocupo com o que como, mas ainda peco um pouco por preguiça, mas prometo a vocês que essa é uma das mudanças que estou em andamento, em processo de mudança. E é claro, quero sempre o que é mais saudável pra mim, estou sempre me preocupando com o que como, com a quantidade de tudo que entra pela minha boca. Recentemente fiz exames de sangue e realmente, está tudo dentro do normal: colesterol, trigliceres, glicemia, com exceção do ferro, estou anêmica. Então a minha preocupação esse ano é reverter esse quadro de anemia, porque olha gente, quero muito um corpo mais saudável, com qualidade de vida, porque pretendo viver muito ainda! Mas tive que descobrir mesmo, como amar meu corpo com cada gordura, celulite e estria que ele possui. Tudo faz parte de mim e não dá pra viver me odiando porque eu não pareço uma capa de Playboy. Mas o desafio é individual, eu não consigo ensinar ninguém a viver melhor consigo. Mas eu posso garantir que a vida fica muito mais fácil quando a gente vira a nossa melhor amiga.

Beijos, Ana Paula. 

domingo, 17 de junho de 2012

Autoestima: ou você tem ou será pra sempre dependente...

Há muitos anos atrás, havia uma outra Ana morando em mim. Uma Ana que tinha crescido sem muita orientação sobre que pessoa ela deveria ser - e quem tem essa orientação né - e que ouvia o tempo todo que a pessoa que ela era não era suficiente. Eu era suficientemente gorda no entanto, para que as pessoas notassem e para que sempre deixassem gravados de alguma forma, que aquilo não era aceitável. Bem, isso foi há muito tempo atrás e de maneira alguma eu quero usar isso pra me sentir vítima. Eu ME RECUSO a ser vítima de qualquer um. Mas, naquela época, eu era apenas uma menina. E como menina, eu achava importante o que os OUTROS pensavam de mim. Eu me via através dos outros, logo o que eles pensavam me importava porque o que eles viam era o que eu acabava vendo. Vocês podem então concluir que pelos olhos dos outros e pelo meu eu era apenas a "pobre menina gorda que nunca vai ser nada na vida porque ela é gorda". E eu preciso dizer: enquanto eu fui dependente dessa visão externa eu fui infeliz. Não que as pessoas estejam erradas - ou pelo menos esse não é o foco do que eu digo - ou que sejam as vilãs. Mas elas nunca vão me olhar com os meus próprios olhos e elas nem tem essa obrigação. Outras pessoas vão levar mais tempo pra entender que eu sou mais do que um corpo, um peso, um tamanho. Outras podem nem querer me conhecer ou saber quem eu sou.  Então a gente passa muito tempo exigindo do outro um amor que não tem por a gente mesmo. E nessas a gente se escraviza, vive infeliz, insatisfeita, procurando alguma coisa que a gente não sabe bem onde está, dai sai procurando em qualquer lugar ou em qualquer pessoa uma validação, uma justificativa pro tanto que a gente acha que o outro deve amar a gente. Isso pode ser bem perigoso, uma vez  que o outro pode ou não validar, justificar ou amar você do tanto que você acha que merece. Por isso eu digo que esse amor incondicional tem que nascer dentro de nós mesmos. A primeira pessoa a te amar deve ser você mesmo. Os outros, eles vão te amar sim, aqueles que tiverem paciência de te conhecer vão ver a pessoa linda que você é. Mas, se você não souber disso por você mesmo, nenhum amor externo vai te salvar. 

Não quero dizer aqui que o amor e a admiração externa não são importantes na vida de uma pessoa. Claro que são. Nem vou me dizer que não me chateio com isso às vezes porque seria mentira. Mas o que eu quero dizer é que se você busca algo unicamente no outro suas chances de frustração aumentam consideravelmente. Ninguém tem obrigação de te achar a mais linda, inteligente ou gostosa do mundo. Você tem. Tem que se amar antes de amar o outro, antes de depender dele pra te dizer o quanto você é demais. E se fica dependente da aprovação alheia pode se magoar ou pode se cercar de pessoas que não gostem tanto assim de você. 

Bem, vou parar antes que eu fique repetitiva demais - too late? - acho que fui bem clara acima. E só pra terminar, a Ana que vive em mim hoje é exatamente - ou quase - a Ana que eu sempre esperei ser. Encontrei essa Ana perdida por ai uma noite e nunca mais me larguei. Nunca mais quero pensar que alguém terá que me amar mais do que mesmo pra eu ser feliz. Nunca mais.